O governo de Leão XIV toma forma com um segundo Consistório

Nos dias 26 e 27 de junho, o Papa Leão XIV convocou todo o Colégio Cardinalício pela segunda vez em seu pontificado para um consistório extraordinário. Essa reunião é crucial para o pontífice, que a considera um instrumento de governo, mas também de unidade.
No dia 26 de junho, os 241 membros do Sacro Colégio foram convidados pelo Papa Leão XIV ao Vaticano para participar de um consistório extraordinário. De acordo com o Direito Canônico, o Papa pode convocar tal reunião “quando as necessidades particulares da Igreja ou o estudo de assuntos de grande importância assim o exigirem”, para que os cardeais possam “oferecer-lhe sua assistência”. O consistório convocado é chamado de “extraordinário”, diferentemente dos consistórios ordinários, que podem ser privados ou públicos e envolvem apenas os cardeais presentes em Roma. O consistório público, por outro lado, serve para nomear novos cardeais.
Como o próprio nome indica, o consistório extraordinário é, em teoria, o mais excepcional. Bento XVI não convocou nenhum consistório, preferindo os consistórios ordinários realizados a portas fechadas (cinco no total). Francisco, por sua vez, convocou apenas dois consistórios extraordinários: um em 2014 sobre o Sínodo da Família e outro, em 2022, sobre a reforma da Cúria Romana. Se o Papa Francisco não tivesse recorrido aos consistórios ordinários secretos para governar, os cardeais residentes fora de Roma, após a morte do pontífice argentino, teriam expressado o desejo de que o governo da Igreja desse maior importância à dimensão colegial, para que a função cardinalícia não se limitasse apenas ao seu aspecto eleitoral.
É nesse contexto que o Papa Leão XIV, fiel ao pedido surgido durante o conclave, decidiu agora fazer do consistório extraordinário um dos instrumentos-chave do seu governo. Uma agenda repleta de compromissos.
Para Leão XIV, esse consistório serve para reunir as orientações e perspectivas dos cardeais de Roma, mas sobretudo dos cardeais de todo o mundo, sobre questões importantes. Em janeiro, ele havia proposto que escolhessem dois temas dentre quatro opções. Os cardeais decidiram, em última instância, trabalhar em dois temas-chave do pontificado de Francisco: a sinodalidade (a dimensão participativa e inclusiva da Igreja) e a evangelização.
Esses dois temas permaneceram na agenda do encontro de junho e, portanto, serão explorados com maior profundidade: o primeiro se concentrará em como a Igreja Católica deve proclamar o Evangelho; o segundo, na implementação do Sínodo sobre o Futuro da Igreja — um importante projeto iniciado pelo Papa Francisco para tornar a Igreja mais aberta.
Outras duas sessões de diálogo foram agendadas. A primeira se concentrará nas questões levantadas pela encíclica Magnifica Humanitas a respeito da Doutrina Social da Igreja, particularmente no questionamento do conceito de “guerra justa”, sobre o qual foram expressas reservas quanto à sua adequação ao contexto contemporâneo. A segunda se concentrará, em particular, nas divisões atuais dentro das sociedades contemporâneas, mas também nas demandas daqueles a quem a Igreja não ouve suficientemente, partindo de uma reflexão sobre o conceito de “bem comum”.
O método de Leão XIV
Diversas tendências emergem dessa nova forma de governar: primeiro, a ideia de que os principais temas do seu pontificado, incluindo aqueles que abordou na sua encíclica, devem poder ser discutidos e desenvolvidos com os cardeais dentro deste quadro “colegial”. O Papa também dedica bastante tempo à reflexão sobre estas questões importantes, e ouvir o trabalho dos cardeais deve orientar a sua tomada de decisões.
Isso aplica-se especialmente aos cardeais que trabalham fora de Roma, uma vez que o objetivo declarado do Papa é que eles transmitam a voz dos cristãos em todo o mundo. Ele presta especial atenção à experiência no terreno, dando prioridade a vozes menos conhecidas em detrimento daquelas que estão no comando da Cúria. O antigo missionário no Peru objetiva, portanto, a priorizar certas regiões mais periféricas, especialmente as mais pobres, tendo anunciado a implementação de uma forma de solidariedade financeira para permitir que todos participem no consistório.
O limite de tempo para as intervenções será rigorosamente aplicado — três minutos — refletindo o desejo do Papa por uma abordagem concisa e eficaz. Nesse sentido, ele também incentiva claramente o trabalho em grupo para identificar tendências gerais. Tanto na forma quanto no conteúdo, o pontífice confirma sua genuína intenção de abordar a questão da sinodalidade, mesmo nessas reuniões de alto nível. Para ele, não se trata simplesmente de respeitar o cronograma que lhe foi legado pelo Papa Francisco, o qual prevê um período de implementação.
Texto e Foto: © Vatican Media


