18/07/2026

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Papa: “Preciso sentir-me apoiado por vocês como irmãos”

Papa: “Preciso sentir-me apoiado por vocês como irmãos”

            O Bispo de Roma proferiu um longo discurso no qual, na primeira parte, enfatizou: “Chegamos ao fim destes dias com um profundo sentimento de gratidão. Agradeço-lhes a liberdade, a fraternidade e o espírito eclesial com que participaram no nosso trabalho. Levo comigo não só o conteúdo das vossas reflexões, mas também a experiência que as tornou possíveis.”

            Leão XIV refletiu: “Juntos, procuramos a vontade do Senhor, convictos de que Cristo continua a agir na sua Igreja: é Ele quem nos precede, quem nos reúne, quem fala por meio dos nossos irmãos e irmãs e quem nos guia na nossa missão. Tudo provém d’Ele e tudo retorna a Ele”, prosseguiu. Por essa razão, ele expressou que “ver cardeais de Igrejas, culturas e situações tão diversas ouvindo uns aos outros e buscando juntos o que melhor serve ao Evangelho tem sido uma fonte de consolo e esperança para mim”.

            No cerne de sua reflexão, Prevost insistiu que a sinodalidade não deve ser entendida como um método organizacional ou uma série de reuniões, mas como uma forma de ser Igreja.

            “A verdadeira questão não é quem tem o poder de decidir, más como salvaguardar juntos o dom que o Senhor confiou à sua Igreja”, esclareceu.

            Segundo o Papa, esse caminho nasce do encontro, cresce na escuta mútua e amadurece pelo discernimento guiado pelo Espírito Santo. Portanto, ele pediu aos cardeais que promovessem a aplicação do processo sinodal em suas respectivas Igrejas, fomentando uma compreensão autêntica do mesmo.

As feridas do mundo

            Leão XIV observou que, durante o Consistório, os cardeais compartilharam sua preocupação com as guerras, a pobreza, as injustiças e a violência que afetam inúmeros povos. Contudo, ele afirmou que por trás dessas tragédias reside uma crise ainda mais profunda: a solidão, a deterioração das relações humanas, a perda da esperança e a dificuldade em reconhecer uns aos outros como irmãos e irmãs.

            O Papa destacou especialmente a situação dos jovens, cuja busca por sentido e autenticidade — e, em alguns casos, o sofrimento que chega a levar ao suicídio — representa uma das feridas mais graves do mundo contemporâneo.

            Ele também ressaltou a importância da família como escola de relações, solidariedade e esperança. Nesse contexto, anunciou um encontro para outubro próximo com líderes das Igrejas Orientais e conferências episcopais para avaliar a recepção da exortação apostólica Amoris Laetitia, do qual as famílias também participarão.

Uma cultura de diálogo versus a lógica da guerra

            Um dos trechos do discurso foi dedicado à paz. Leão XIV afirmou que os cardeais compreenderam claramente uma das ideias da encíclica Magnifica Humanitas: a guerra surge não apenas de conflitos entre Estados, mas de uma “cultura do poder” que permeia as relações humanas, a economia, a política, a tecnologia e até mesmo a religião.

            Diante dessa realidade, ele propôs a reconstrução de uma cultura de cooperação e diálogo, o fortalecimento do multilateralismo e a promoção da participação dos leigos na vida pública, com base na doutrina social da Igreja.

            O Papa também defendeu a resposta não violenta como uma opção profundamente evangélica, esclarecendo que ela não implica passividade, mas sim o enfrentamento dos conflitos sem reproduzir a lógica do ódio.

            Nesse contexto, ele revelou que diversos grupos de trabalho solicitaram uma reflexão teológica e pastoral mais profunda sobre a legítima defesa à luz das mudanças vivenciadas pelos conflitos contemporâneos.

Uma Igreja que testemunha em vez de organizar

            Leão XIV insistiu que a renovação da Igreja depende não apenas de reformas estruturais, mas sobretudo do testemunho de comunidades capazes de viver o Evangelho com credibilidade. “A Igreja é chamada a tornar-se cada vez mais aquilo que proclama”, observou ele, enfatizando que qualquer reforma institucional só dará frutos se brotar de um encontro com Cristo e da vida sacramental.

            O sucessor de Pedro reiterou também a sua intenção de continuar com esse encontro anual a partir do próximo ano. Esclareceu que ainda não definiu uma data, mas espera anunciá-la no final deste ano.

Um apelo final pela paz

            Ao concluir o seu discurso, o Papa endossou o apelo unânime que emergiu do Consistório e convidou os cardeais a transmiti-lo a todas as Igrejas e povos do mundo.

            “Deus continua a abrir caminhos de reconciliação e paz na história. Temos a responsabilidade de percorrê-los com coragem e ajudar o mundo a reconhecê-los”, afirmou o Papa.

            “Obrigado por me ajudarem, mais uma vez, a reconhecer a obra que Cristo continua a realizar entre o seu povo e no mundo. Confiemos os frutos deste Consistório à intercessão da Virgem Maria, Mãe da Igreja. Que ela nos ensine a salvaguardar a unidade na diversidade e a servir o Evangelho da paz com humildade, coragem e esperança. Muito obrigado!”

Por Vatican.va

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